Um Inferno Que Deus não Criou

Sábado, 7 de Março

VERSO PARA MEMORIZAR:


Leituras da semana:
Malaquias 4:1–3
Apartir do Título, e do estudo da semana, anote suas impressões sobre o que se trata a lição:

Pesquise: em comentários bíblicos, livros denominacionais e de Ellen G. White sobre temas neste texto: Malaquias 4:1–3

* Estude a lição desta semana para se preparar para o Sábado, 14 de Março.

Domingo, 8 de Março

Imagine isto: um inferno eterno, onde chamas consomem os condenados sem nunca destruir sua carne, e gritos de dor ecoam sem cessar. Nesse cenário de pesadelo, não há alívio — apenas tormento interminável, sem esperança e sem misericórdia. Como conciliar uma cena dessas com um Deus amoroso e justo?

O impacto dessa doutrina tem sido profundo. Charles Darwin, considerado o pai da teoria da evolução, refletiu sobre isso em sua autobiografia: “É difícil imaginar por que alguém desejaria que o cristianismo fosse verdadeiro, já que, de acordo com o texto bíblico, as pessoas que não creem — incluindo meu pai, meu irmão e quase todos os meus melhores amigos — seriam punidas eternamente. Essa é uma doutrina abominável” (The Autobiography of Charles Darwin: 1809-1882 [Collins, 1958], p. 87).

Esse pensamento, entre outros, contribuiu para que Darwin se afastasse cada vez mais da fé cristã.

A verdade é que o ensino do inferno como um lugar de tormento eterno tem sido um dos grandes responsáveis pelo avanço do ceticismo e da descrença. Afinal, como aceitar que um Deus de amor manteria pessoas vivas sofrendo para sempre? Será que os cristãos não deveriam se posicionar contra essa imagem distorcida de Deus?

Um livro que analisa os danos causados por esse conceito é Deconstructing Hell: Open and Relational Responses to the Doctrine of Eternal Conscious Torment [Desconstruindo o Inferno: Respostas Abertas e Relacionais à Doutrina do Tormento Eterno Consciente]. A obra revela como essa doutrina causa traumas espirituais dolorosos, leva muitos ao ateísmo e alimenta o medo e a desconfiança em relação ao caráter de Deus.

Ao longo desta semana, vamos mergulhar no que a Bíblia realmente ensina sobre o inferno. Descobriremos que o ensinamento bíblico verdadeiro é o da aniquilação: a destruição definitiva do mal, e não um sofrimento eterno. Essa compreensão não apenas está em harmonia com o caráter de um Deus justo e amoroso, mas também é a única que faz sentido quando analisamos cuidadosamente as Escrituras.

Segunda, 9 de Março

Malaquias 4:1–3 utiliza uma forte imagem dos ímpios sendo queimados e reduzidos a cinzas. Este ato final de destruição não deixa nada para trás — “nem raiz nem ramo”. Os planos de Deus são erradicar completamente o mal para garantir a paz e a pureza do Seu universo. Naum 1:9 nos assegura que “a aflição não surgirá segunda vez”. O mal não retornará, e a sua destruição garante que a paz da eternidade não será interrompida. Deus porá um fim permanente ao mal, preservando ao mesmo tempo a nossa liberdade no processo.

Deus realiza a justiça não por meio de punição interminável, mas exterminando o pecado e o sofrimento. Ezequiel 28:18, 19 promete que Satanás será reduzido a cinzas e “nunca mais existirá para sempre”. Isto não é tormento eterno, mas extinção eterna. Obadias 1:16 ecoa isto, dizendo que os ímpios serão “como se nunca tivessem existido”. Esta destruição final é misericordiosa e está alinhada com um Deus de amor, que deseja restaurar a paz à Sua criação.

Se o fogo infernal eterno fosse verdadeiro, distorceria o caráter de Deus e O tornaria difícil de confiar. Um Deus que permite sofrimento interminável estaria em desarmonia com a Sua lei de amor (Mateus 22:37–40) e com os princípios de misericórdia e perdão que Ele nos ordena seguir. O tormento eterno apresenta Deus como um tirano, infligindo punição infinita e progressiva por pecados finitos. Como poderíamos confiar em Deus se Ele violasse o caráter de Si mesmo revelado nos Evangelhos? Se Deus exige de nós misericórdia e compaixão, como poderia Ele agir de maneira que contradiz os Seus próprios padrões? Tal retrato distorcido de Deus O torna hipócrita. Este não é o Deus da Bíblia.

A doutrina do tormento eterno é incompatível com um Deus de amor, misericórdia e justiça. Apenas dois destinos são ensinados na Bíblia. As pessoas ou “perecerão” ou receberão “vida eterna” (João 3:16). Não há opção intermediária. Torturar os ímpios para sempre seria conceder-lhes vida eterna. O plano de Deus é erradicar o mal por completo, não prolongar o sofrimento.

A vida eterna, como prometida na Bíblia, é um dom dado apenas àqueles que creem em Cristo (Romanos 6:23). A verdadeira alegria na eternidade seria impossível se o pecado e o mal ainda estivessem presentes, mesmo que confinados a um canto do universo. Imagine viver na luz da presença de Deus, sabendo que em algum lugar, o sofrimento continua para sempre. 1 Coríntios 15:26 nos diz que a morte — o resultado final do pecado — é o “último inimigo” a ser destruído. A destruição final da morte e do mal garante que a vida eterna será livre de dor e tristeza.

Terça, 10 de Março

Se Deus não vai atormentar os perdidos para sempre no inferno, como entender os textos que falam sobre “fogo eterno”? Por exemplo: “Então o Rei dirá também aos que estiverem à Sua esquerda: ‘Afastem-se de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos’” (Mateus 25:41).

Antes de tudo, observe que esse fogo é destinado ao diabo e seus anjos — não para nós. Deus providenciou tudo para que ninguém precise compartilhar o destino do inimigo. A vontade divina é salvar, não destruir. Esse fogo é chamado de eterno não porque queimará para sempre, mas porque suas consequências são eternas.

O livro de Judas também nos ajuda a compreender o sentido da expressão “fogo eterno”. No verso 7, ele recorda o que aconteceu com as cidades de Sodoma e Gomorra: elas “foram postas como exemplo do castigo de um fogo eterno”. Essas cidades foram totalmente consumidas e jamais reconstruídas. Tornaram-se cinzas (Gênesis 19:29). Os moradores não estão sendo queimados até hoje, e o fogo não permanece aceso. Mas o resultado foi permanente. Ou seja, fogo eterno significa condenação eterna — e não sofrimento eterno.

O próprio Jesus usou a imagem de Sodoma e Gomorra como um modelo do que acontecerá com os ímpios. O castigo será eterno (Mateus 25:46), mas o ato de castigar será temporário. O Salmo 37 confirma essa realidade: os ímpios “perecerão” e “desaparecerão, como desaparece a fumaça” (Salmos 37:20); “já não existirão” (Salmos 37:10).

Outro mal-entendido comum envolve a expressão “fogo que nunca se apaga” (Mateus 3:12). Alguns interpretam isso como um fogo que consome eternamente sem destruir. No entanto, a Bíblia usa essa expressão com outro sentido: trata-se de um fogo que cumpre seu propósito até o fim. Veja o que o profeta Jeremias escreveu sobre a destruição de Jerusalém: “Então porei fogo nesses portões. O fogo queimará os palácios de Jerusalém e não se apagará” (Jeremias 17:27). Jerusalém, obviamente, não está queimando até hoje. O que o texto quer dizer é que ninguém conseguiu impedir aquele fogo de cumprir sua missão.

O fogo de Deus consome completamente. Ele executa o juízo divino. E, quando termina, resta apenas o que é eterno: a justiça de Deus e o novo começo que Ele preparou para os justos.

Quarta, 11 de Março

Como as seguintes passagens nos ajudam a compreender melhor a verdade sobre o inferno?

Destruição da alma e do corpo:

Ezequiel 18:4, 20

Mateus 10:28

A dor e o sofrimento de Deus pela destruição dos ímpios:

Ezequiel 33:11

Oséias 11:8

2 Pedro 3:9, 10

O fogo:

Isaías 47:14

Mateus 13:40-42

2 Tessalonicenses 1:7-9

Quinta, 12 de Março

A Bíblia descreve repetidamente Deus como um “fogo consumidor” (Hebreus 12:29). A Sua santidade e glória avassaladora são tão poderosas que purificam aqueles que estão diante Dele. Considere como a glória de um único anjo completamente sobrepujou os poderosos guardas romanos no túmulo de Jesus (Mateus 28:2–4). Se um anjo pôde ter tal impacto, imagine o poder radiante de Cristo em toda a Sua glória! Na segunda vinda de Cristo, o Seu brilho destruirá os ímpios (2 Tessalonicenses 2:8), enquanto os justos se deleitarão na Sua luz.

A jornada de Moisés ao experimentar a glória de Deus mostra como ele se acostumou à presença de Deus ao longo do tempo. Primeiro, em Êxodo 3:2–6, Moisés encontrou Deus na sarça ardente, onde viu a santidade de Deus por meio de um fogo que não consumia. Mais tarde, em Êxodo 24:9, 10, Moisés subiu ao Monte Sinai e viu uma visão dos pés de Deus sobre um pavimento de safira. A sua exposição à glória de Deus aprofundou-se em Êxodo 33:18–23, quando Deus permitiu que Moisés visse as Suas costas, protegendo-o ao mesmo tempo do Seu pleno resplendor. Esta jornada mostra como, à medida que Moisés passava tempo com Deus, ele se tornava capaz de suportar maiores medidas da luz e glória divinas.

Isaías 33:14 levanta uma pergunta que ecoa até hoje: “Quem de nós habitará com o fogo devorador? Quem de nós habitará com chamas eternas?” A resposta vem logo em seguida: somente os justos poderão viver na presença de Deus. Sua glória, que consome os que rejeitam o arrependimento, é fonte de vida para aqueles que confiam Nele.

Essa vida eterna é um presente de Jesus. Ele nos convida a permanecer em Sua presença, purificados e prontos para viver a vida plena que Ele oferece a todos os que creem. O mais impressionante é que são os justos — e não os perdidos — que habitarão para sempre no fogo da presença divina! A luz da santidade de Deus traz destruição para os ímpios, mas gera vida para os fiéis. A glória que consome também purifica e sustenta. No fim, tanto os justos quanto os ímpios se depararão com a glória de Deus — uma glória que traz morte para uns, mas plenitude de vida para outros.

Sexta, 13 de Março

“Muitos internados em manicômios foram levados para lá por experiências semelhantes à minha. As suas consciências foram feridas com um senso de pecado, e a sua fé trêmula não ousava reivindicar o perdão prometido por Deus. Eles escutaram descrições do inferno ortodoxo até que parecia congelar o próprio sangue nas suas veias e gravar uma impressão nas tábuas da sua memória. Acordados ou dormindo, a imagem aterrorizante estava sempre diante deles, até que a realidade se perdia na imaginação, e eles viam apenas as chamas entrelaçadas de um inferno fabuloso e ouviam apenas os gritos dos condenados. A razão foi destronada, e o cérebro foi preenchido com a fantasia selvagem de um sonho terrível. Aqueles que ensinam a doutrina de um inferno eterno fariam bem em examinar mais de perto a sua autoridade para uma crença tão cruel.” – Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, vol. p 26.

“Satanás atribuiu a Deus todos os males a que a carne está sujeita. Ele O representou como um Deus que se deleita nos sofrimentos das Suas criaturas, que é vingativo e implacável. Foi Satanás quem originou a doutrina do tormento eterno como punição pelo pecado, porque desta forma ele poderia levar os homens à infidelidade e à rebelião, distrair as almas e destronar a razão humana.” – Ellen G. White, Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p.22.

“A mente humana é incapaz de calcular o mal causado pela heresia do tormento eterno. A religião da Bíblia, repleta de amor e bondade e abundante de misericórdia, é obscurecida pela superstição e revestida de terror. Quando consideramos as falsas cores com que Satanás pintou o caráter de Deus, podemos entender por que nosso misericordioso Criador tem sido evitado, temido e até mesmo odiado. As opiniões aterrorizantes sobre Deus, que pelos ensinos do púlpito são propagadas pelo mundo, têm feito milhares e até mesmo milhões de céticos e incrédulos. [...]

“Apenas uma lembrança permanece: nosso Redentor conservará para sempre as marcas de Sua crucificação. Em Sua fronte ferida, em Seu lado e em Suas mãos e pés estarão os únicos vestígios da obra cruel realizada pelo pecado. Ao contemplar Cristo em Sua glória, o profeta declarou: ‘Raios brilhantes saíam da Sua mão, e ali estava o esconderijo da Sua força’ (Habacuque 3:4). Suas mãos e Seu lado ferido de onde fluiu a corrente carmesim que reconciliou o ser humano com Deus — ali está a glória do Salvador, ali está ‘o esconderijo da Sua força’. [...] E os sinais de Sua humilhação são a Sua mais elevada honra. Por toda a eternidade, os ferimentos do Calvário proclamarão o louvor e declararão o poder de Cristo.

“O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única pulsação de harmonia e felicidade vibra por toda a vasta criação. Daquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até o maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeita alegria, declaram que Deus é amor” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 448, 557, 560).