Seitas Apocalípticas

Sábado, 14 de Março

VERSO PARA MEMORIZAR:


Leituras da semana:
Atos 2:42-47
Apartir do Título, e do estudo da semana, anote suas impressões sobre o que se trata a lição:

Pesquise: em comentários bíblicos, livros denominacionais e de Ellen G. White sobre temas neste texto: Atos 2:42-47

* Estude a lição desta semana para se preparar para o Sábado, 21 de Março.

Domingo, 15 de Março

A cena era arrepiante — trinta e nove corpos sem vida vestidos com agasalhos idênticos e cobertos com panos roxos. O culto Heaven’s Gate (Portão do Céu), liderado por Marshall Applewhite, acreditava que o suicídio em massa em 1997 os transportaria para uma nave espacial que seguia o cometa Hale-Bopp. Esse evento trágico chocou o mundo, expondo as consequências devastadoras de crenças distorcidas e da manipulação da esperança por meio do medo apocalíptico.

Trata-se de um culto do fim dos tempos. O termo “culto” muitas vezes evoca imagens de rituais secretos, sacrifícios, símbolos estranhos e profecias sinistras, moldadas tanto por Hollywood quanto pela história. Mas o que realmente define um culto? Doutrinas rígidas ou laços comunitários são marcadores suficientes, ou existem padrões psicológicos e teológicos mais profundos que os distinguem de grupos de fé legítimos?

Surpreendentemente, a igreja cristã primitiva já foi rotulada como cultista. As autoridades romanas viam suas práticas com suspeita, acusando os cristãos de canibalismo por causa da celebração da Ceia do Senhor — consumindo simbolicamente o corpo e o sangue de Cristo (Lucas 22:19, 20). Suas reuniões secretas e a recusa em adorar os deuses romanos apenas alimentavam o mal-entendido e a perseguição.

O historiador Tácito, escrevendo por volta de 116 d.C., referiu-se ao cristianismo como uma “superstição das mais perniciosas” acusou os crentes de espalharem ideias perigosas. Plínio, o Jovem, governador romano, escreveu ao imperador Trajano perguntando como lidar com cristãos que se reuniam em segredo e se recusavam a adorar os deuses romanos. Ele descreveu suas reuniões como assembleias ao amanhecer que envolviam compromissos com comportamento moral e o canto de hinos a Cristo “como a um Deus”. Esses mal-entendidos ilustram como a sociedade frequentemente vê novos movimentos religiosos com ceticismo e medo.

Os primeiros apologistas surgiram para defender a fé contra tais acusações. Justino Mártir, em sua Primeira Apologia (cerca de 155 d.C.), argumentou que os cristãos não eram uma ameaça, mas sim aderentes à verdade divina e à virtude. Ele respondeu às falsas acusações de que os cristãos comiam carne humana durante a Ceia do Senhor e explicou que os cristãos buscam adorar a Deus apenas em espírito e em verdade.

Essa necessidade de se posicionar já era prevista no Novo Testamento (veja 1 Pedro 3:15, 16). A apologética surgiu como resposta às falsas acusações. Os cristãos precisavam mostrar que sua fé não era uma ameaça, mas uma esperança viva.

Nesta semana, vamos analisar o que define uma seita – seus traços, comportamentos e suas estratégicas. Comparemos essas características com os ensinos da Igreja Adventista do Sétimo Dia, á luz da Bíblia e da história da igreja apostólica.

Segunda, 16 de Março

A igreja apostólica nasceu em um ambiente de transparência. Não era um grupo secreto, nem realizava rituais estranhos. Os apóstolos pregavam abertamente, e qualquer pessoa podia ouvir a mensagem e decidir por si mesma. Quando Pedro pregou no dia de Pentecostes, os que aceitaram a mensagem foram batizados — ninguém foi forçado ou manipulado (Atos 2:41).

A comunidade cristã do primeiro século era marcada por amizade e conexão verdadeira. Quem se tornava cristão não se isolava do mundo; pelo contrário, os seguidores de Jesus se espalhavam por várias regiões, mantendo contato com as pessoas e comunicando esperança (At 8:1).

Outro traço marcante era a generosidade. Havia ajuda mútua e contribuição voluntária para o avanço da missão (Atos 2:44,45). Ao contrário de muitas seitas, ninguém era explorado. Os apóstolos não buscavam enriquecimento pessoal e repreendiam aqueles que tentavam tirar proveito da fé dos outros (Atos 8:18-22).

Compare agora as atitudes de líderes de seitas com os princípios que guiavam a igreja apostólica:

1 Abuso de autoridade – Líderes de seitas exigem obediência cega e se colocam acima de qualquer crítica. Jesus fez o oposto: liderava servindo e alertou contra o uso autoritário do poder (Mateus 20:25-28).

2 Isolamento do mundo – Muitas seitas afastam seus membros da família e dos amigos, criando uma bolha fechada que favorece o controle e o segredo. Mas Jesus ensinou que Seus seguidores devem estar no mundo, sem se moldar a ele (João 17:15,16).

3 Controle emocional – Seitas utilizam o medo, a culpa e a vergonha para manter seus membros submissos. Jesus chamava com amor e buscava seguidores livres e sinceros de coração (Mateus 23:37).

4 Exploração emocional e financeira – Líderes de seitas manipulam sentimentos e exploram os recursos dos outros. Já o cristianismo ensina que a doação deve ser voluntária e feita com alegria (2Coríntios 9:7).

5 Uso distorcido de temas apocalípticos – Seitas recorrem ao medo do fim do mundo para controlar. A Bíblia, porém, mostra que as profecias devem gerar esperança e preparo (1Tessalonicenses 5:4-6).

6 Supressão da individualidade – Seitas rejeitam o pensamento crítico e exigem conformidade. A fé verdadeira, no entanto, incentiva a pensar, examinar e crescer (1Tessalonicenses 5:21; Atos 17:11).

As seitas operam com medo, controle e segredo. A igreja apostólica vivia com liberdade, responsabilidade e transparência – um modelo que continua atual e poderoso.

Terça, 17 de Março

Se você é Adventista do Sétimo Dia, talvez já tenha ouvido alguém chamar a Igreja Adventista de seita. As acusações variam, desde supostas práticas secretas até doutrinas consideradas antibíblicas. Na maioria dos casos, porém, esses equívocos vêm de informações distorcidas ou de episódios envolvendo indivíduos radicais.

Não é possível abordar todas as críticas aqui, mas vamos considerar brevemente as mais comuns:

1 “Vocês colocam os escritos de Ellen White no mesmo nível da Bíblia.” — Essa é uma das afirmações mais recorrentes. No entanto, a própria Ellen White declarou: “A nossa regra de fé é a Bíblia, e a Bíblia somente” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 52). As Escrituras “são a norma do caráter, o revelador das doutrinas” (O Grande Conflito, p. 7).

Ensinamos que a Bíblia é a autoridade final para a fé e a prática cristã (princípio Sola Scriptura). Ela é sua própria intérprete. Todas as nossas 28 crenças fundamentais estão baseadas unicamente nas Escrituras.

Os escritos de Ellen White não substituem a Bíblia; são reconhecidos como uma manifestação do dom de profecia (Apocalipse 19:10), que exalta as Escrituras, esclarece verdades já reveladas, aconselha a igreja e aponta sempre para Jesus.

2 “Vocês se acham o único grupo certo, como se só vocês fossem salvos.” — Outro mal-entendido comum está relacionado ao conceito de “remanescente”. A Bíblia fala sobre um povo remanescente no tempo do fim (Apocalipse 12:17), e os Adventistas entendem que têm uma missão profética especial nesse contexto. Isso, porém, não significa excluir os demais.

O próprio Jesus disse: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco” (João 10:16). Ou seja, Deus tem filhos sinceros em todas as denominações. O chamado Adventista é anunciar a verdade com amor, não se colocar acima dos outros. A identidade como “remanescente” deve inspirar humildade e compromisso, nunca orgulho ou exclusivismo.

Uma pesquisa do instituto Pew Research apontou a Igreja Adventista como o grupo religioso etnicamente mais diverso dos Estados Unidos — reflexo de sua missão inclusiva e global. Nenhuma denominação é perfeita, mas a Igreja Adventista segue firme em seu compromisso com a verdade bíblica, a liberdade de consciência e o crescimento espiritual. E isso faz toda a diferença.

Quarta, 18 de Março

Como as seguintes passagens nos ajudam a compreender os princípios da liderança bíblica em comparação com as tendências dos líderes de seitas?

Perigo de seguir uma só pessoa:

Provérbios 24:6

Mateus 24:24

1 Coríntios 1:10-13

1 Coríntios 3:3-7

Perigo de abusar da autoridade:

Ezequiel 34:4

Mateus 20:25-28

1 Pedro 5:2, 3

Importância da humildade:

Romanos 12:3

Gálatas 6:3

Filipenses 2:3

Quinta, 19 de Março

Nem mesmo os melhores mestres religiosos escapam de ser chamados de líderes de seita. Jesus é o maior exemplo disso. Ele sabe o que é ser acusado injustamente. As autoridades religiosas da época afirmaram: “Encontramos este homem pervertendo a nossa nação [...]. Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia” (Lucas 23:2,5).

Além de acusarem Jesus de ir contra o governo, também disseram que Ele agia às escondidas. No entanto, o próprio Jesus declarou: “Eu tenho falado abertamente ao mundo [...] Nada disse em segredo” (João 18:20). Ainda assim, o sumo sacerdote tentou induzi-Lo a dizer algo que pudesse ser usado contra Ele. Com isso, “pensava conseguir alguma declaração que provasse que Ele estava tentando fundar uma sociedade secreta, com o objetivo de estabelecer um novo reino” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 561).

Em outras palavras, Jesus foi acusado de liderar uma seita secreta com intenções revolucionárias. Mas Ele respondeu com calma, demonstrando transparência, integridade e coerência. Ironicamente, foram os fariseus e saduceus que agiram de forma oculta, manipulando as Escrituras, realizando julgamentos secretos e conspirando para matar Cristo.

Os apóstolos também enfrentaram acusações parecidas. Alguns dos piores inimigos de Paulo o acusaram dizendo: “Este homem é uma peste e promove desordens entre os judeus do mundo inteiro, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos” (Atos 24:5). Os líderes da igreja apostólica lidaram com muitas acusações falsas. Os cristãos eram impopulares e vistos com desconfiança.

Mas quem segue a Cristo não pode ser guiado pela opinião pública. Aliás, os falsos mestres costumam enfrentar menos oposição do que os verdadeiros. Jesus advertiu: “Ai de vocês, quando todos os elogiarem, porque os pais dessas pessoas fizeram o mesmo com os falsos profetas!” (Lucas 6:26). Ainda hoje, os que “guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12) podem ser alvo de mentiras e rótulos ofensivos. Mas, ao lembrarmos que Cristo e os apóstolos também foram injustamente acusados, encontramos coragem para permanecer fiéis. O exemplo de Jesus — falar a verdade com amor — continua sendo nosso modelo.

Sexta, 20 de Março

Ellen White fez um sério alerta contra a participação em sociedades secretas: “O mundo é um teatro, e seus habitantes são os atores que estão se preparando para desempenhar sua parte no último grande drama. Não há unidade nas grandes massas da humanidade, exceto quando os homens se unem para realizar seus propósitos egoístas. Mas Deus os está observando. Seus desígnios quanto aos Seus rebeldes súditos se cumprirão. O mundo não foi entregue às mãos dos homens, embora Deus permita que os elementos de confusão e desordem dominem por algum tempo. Um poder de baixo está operando a fim de promover as últimas grandes cenas do drama: Satanás vindo como Cristo e operando com todo o engano da injustiça nos que participam de sociedades secretas. Os que cedem à paixão de confederarem-se estão executando os planos do inimigo. Depois da causa vem o efeito” (Testemunhos Para a Igreja, v. 8, p. 26).

Ellen White fez um apelo direto e contundente a Nathaniel Faulkhead, um maçom que havia se tornado Adventista do Sétimo Dia, mas ainda mantinha vínculos com algumas sociedades secretas. Após citar Isaías 8:9-13, ela escreveu: “Algumas pessoas indagam se é correto que cristãos pertençam à sociedade maçônica e outras sociedades secretas. Que todos esses considerem os textos acima citados. Se somos cristãos na verdade, também devemos ser cristãos em toda parte, e é preciso considerar e atender ao conselho dado para nos tornar cristãos segundo a norma da Palavra de Deus. [...]

“Quando aceitamos a Cristo como nosso Redentor, aceitamos a condição de nos tornar coobreiros de Deus. Fizemos com Ele um concerto de ser totalmente pelo Senhor, como fiéis mordomos da graça de Cristo, para trabalhar pela edificação de Seu reino no mundo. Todo seguidor de Cristo está comprometido a consagrar todas as suas energias mentais, físicas e espirituais Àquele que pagou o resgate por nossa vida. Devemos nos alistar para ser soldados, para entrar em serviço ativo, suportar provações, vergonha, injúria, para combater o combate da fé, seguindo o Capitão de nossa salvação” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 428).

Depois de receber essa mensagem, Faulkhead decidiu se desligar de todas as sociedades secretas. Mais tarde, Ellen White escreveu: “Sinto-me muito grata ao nosso benigno Pai celestial por Ele ter lhe dado forças, pela comunicação da Sua graça, para o desligar da loja maçônica e tudo quanto se relaciona com a sociedade. Não era seguro para você ter qualquer parte com aquela ordem secreta. Aqueles que estão sob a ensanguentada bandeira do Príncipe Emanuel não podem se unir aos maçons, ou a qualquer organização secreta” (Ellen White, Evangelismo, p. 430)