Esperança Para Não Cristãos

Sábado, 21 de Março

VERSO PARA MEMORIZAR:


Leituras da semana:
Mateus 15:21-28
Apartir do Título, e do estudo da semana, anote suas impressões sobre o que se trata a lição:

Pesquise: em comentários bíblicos, livros denominacionais e de Ellen G. White sobre temas neste texto: Mateus 15:21-28

* Estude a lição desta semana para se preparar para o Sábado, 28 de Março.

Domingo, 22 de Março

Hoje, o mundo abriga aproximadamente 8,2 bilhões de pessoas de diversas origens nações, culturas e crenças, incluindo:

2,5 bilhões de cristãos

1,9 bilhão de muçulmanos

1,1 bilhão de hindus

531 milhões de budistas

Mesmo sendo a maior religião do mundo, o cristianismo enfrenta um grande desafio: muita gente que se diz cristã não vive de acordo com os ensinos da Bíblia, e poucos compartilham ativamente o evangelho.

Diante desse cenário, surgem perguntas importantes: Como Deus age para alcançar as nações, mesmo em meio à confusão religiosa e ao pouco alcance missionário? Como Ele julga quem nunca ouviu falar de Jesus? E o que dizer de povos e culturas que nem aparecem na Bíblia?

Deus não é limitado por idiomas nem fronteiras. Ele fala com cada pessoa de maneiras que ela possa compreender – por meio da natureza, da história e das experiências pessoais. É Ele quem planta no coração humano um desejo profundo por algo maior – um anseio por sentido, por redenção, por Deus. Mesmo quem nunca teve contato com uma Bíblia pode perceber o poder divino nas maravilhas da criação e nesse anseio que arde no coração (Salmos 19:1-4; Atos 17:26,27). Deus julga cada pessoa conforme a luz que recebeu e a maneira como respondeu a ela.

É verdade que o método preferido de Deus para espalhar o evangelho somos nós. Foi por isso que Jesus disse: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28:19,20). Deus é o maior missionário de todos, e nós temos o privilégio de participar da missão que é Dele.

No entanto, Ele não depende exclusivamente de missionários humanos. Ao longo da história, usou anjos, a natureza, sonhos e até animais.

Neste estudo, vamos explorar como Deus envia Sua luz ao mundo, usando diferentes meios em todas as épocas. Descobriremos que ninguém está fora do alcance da graça de Deus.

Segunda, 23 de Março

Ao viajar para a região de Tiro e Sidom, Jesus saiu das fronteiras de Israel e entrou em um território estrangeiro – uma terra com outra cultura, outro sotaque e outra religião. Foi nesse contexto que uma mulher cananeia desesperada se aproximou Dele: sua filha estava possuída por um demônio, e ela implorava por ajuda.

Os cananeus eram conhecidos por seus rituais idólatras, incluindo o culto a deuses como Baal e Aserá, frequentemente associados a práticas cruéis, como o sacrifício de crianças (leia Deuteronômio 7:1-5). Mas, apesar de sua origem pagã, aquela mulher viu em Jesus a única solução para seu problema. Ela demonstrou coragem e fé – e estava disposta a fazer qualquer coisa para salvar sua filha.

A princípio, a atitude de Jesus parece chocante. Ele disse: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24). À primeira vista, soa como uma recusa. Mas o que Jesus estava fazendo era criar um momento pedagógico, não para rejeitar, mas para ensinar.

A reação de Jesus espelhou exatamente o preconceito que existia no coração dos próprios discípulos. Eles também achavam que Jesus tinha vindo apenas para os judeus. E, por isso, Ele os levou a enxergar essa limitação. O silêncio e as palavras duras de Jesus expuseram, de forma provocativa, o pensamento exclusivista dos discípulos.

Em resposta, a mulher cananeia chamou Jesus de “Filho de Davi” (Mateus 15:22), um título messiânico. O teólogo Richard France observou: “Ela enxergou em Jesus algo que os líderes religiosos de Israel frequentemente ignoravam – compaixão e poder divino” (The Gospel of Matthew [Eerdmans, 2007], p. 598). Ellen White também comentou: “Sob a aparente recusa de Cristo, [a mulher cananeia] viu a compaixão que Ele não podia ocultar” (O Desejado de Todas as Nações, p. 316).

A mulher cananeia não se ofendeu, nem recuou. Ela insistiu, creu, esperou, e então ouviu as palavras mais poderosas daquele dia: “Mulher, que grande fé você tem! Que seja feito como você quer” (Mateus 15:28).

Esse é o único milagre registrado de Jesus naquela região. E não foi feito para impressionar a multidão – foi para ensinar os discípulos. Eles viram que as “ovelhas perdidas” não são definidas por etnia, mas por fé. A graça de Deus ultrapassa fronteiras. E, naquele momento, uma estrangeira se tornou parte do verdadeiro povo de Deus porque creu.

Terça, 24 de Março

Deus deseja que todas as pessoas conheçam a verdade. Ele atua de maneiras incontáveis para alcançar cada ser humano, independentemente de sua origem, cultura ou condição. Ellen White escreveu: “Deus não reconhece nenhuma distinção em matéria de nacionalidade ou classe social. Ele é o Criador de toda a humanidade. Pela criação, os seres humanos são membros de uma mesma família” (Profetas e Reis, p. 217).

O apóstolo João afirma que Jesus é a “verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina toda a humanidade” (João 1:9). Ele não especifica quanto dessa luz cada pessoa recebe nem de que forma ela chega a cada um. No entanto, o apóstolo Paulo nos ajuda a compreender melhor: “Pois, desde a criação do mundo, os atributos invisíveis de Deus — o Seu eterno poder e a Sua natureza divina — têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Romanos 1:20). Em outras palavras, Deus Se revela por meio da criação. Há um testemunho silencioso sobre o Criador impresso em cada detalhe do Universo. Mesmo diante da escuridão espiritual do mundo, ainda é possível discernir Sua sabedoria, Seu poder e Sua existência por meio do “livro da natureza”.

Além disso, Paulo afirma que Deus colocou a consciência em cada ser humano, gravando Sua própria lei no coração de todos (Romanos 2:12-15). Isso significa que, mesmo aqueles que nunca tiveram uma Bíblia nas mãos, receberam algum tipo de luz e serão julgados com base na forma como responderam à luz que lhes foi concedida.

A justiça divina não se baseia na quantidade de informação recebida, mas na fidelidade à verdade conhecida. Deus julga com amor e justiça cada pessoa, cada grupo, cada cultura. Aqueles que nunca tiveram acesso às Escrituras ou a um missionário serão julgados conforme a luz que receberam e a resposta que deram a ela.

Isso significa que:

Ninguém se perderá só por ter nascido no lugar “errado”.

Ninguém se perderá só por não ter acesso a todas as verdades.

nguém se perderá só por ter nascido em uma época difícil.

Deus é justo. Deus é bom. Deus é luz. E essa luz alcança a todos os que desejam enxergar.

Quarta, 25 de Março

O que as seguintes passagens nos ensinam sobre como Deus alcança pessoas que o desconhecem?

A capacidade de Deus de falar de diferentes maneiras:

Números 22:28-30

1 Reis 19:11-13

Jó 12:7-10

Mateus 27:19

Lucas 19:39, 40

Atos 10:1-8

O desejo de Deus de salvar todas as pessoas:

Isaías 49:6

João 12:32

1 Timóteo 2:3, 4

2 Pedro 3:9

Quinta, 26 de Março

No céu, veremos que a luz de Jesus alcançou pessoas de toda nação, tribo e língua, incluindo aquelas que tiveram acesso limitado à história completa do Evangelho, mas que são salvas por responderem à luz que lhes foi dada (Apocalipse 7:9). Algumas pessoas ouvirão a história da cruz pela primeira vez no céu. Elas perguntarão a Cristo: “‘Que são estas feridas nas tuas mãos?’ Então ele responderá: ‘São as feridas com que fui ferido na casa dos meus amigos’” (Zacarias 13:6). Mesmo aqueles que nunca compreenderam plenamente o Evangelho ainda podem responder à revelação do amor de Deus e ser contados entre os redimidos.

Jesus salvará também outros que conheciam o Seu nome, mas que estavam confusos por doutrinas falsas no cristianismo. Isso é revelado em Apocalipse 18, onde Deus chama o Seu povo para sair de Babilônia — um termo que designa uma forma comprometida de cristianismo que mistura verdade e erro. O convite “Sai dela, povo meu” revela que Deus tem seguidores fiéis mesmo no meio das trevas espirituais simbolizadas por Babilônia (Apocalipse 18:4). Deus encontra Seus filhos emaranhados em sistemas de confusão e erro. Ele reconhece os seus corações e os chama para saírem das trevas para a luz.

O coração missionário de Deus é vasto e abrangente. Ele é o supremo vencedor de almas, trabalhando incansavelmente para alcançar cada indivíduo, independentemente de sua origem ou conhecimento. O amor de Deus não conhece fronteiras, e Seu desejo de salvar é universal, atraindo pessoas de todas as esferas da vida para o Seu reino eterno. Por essa razão, “Deus repartiu a cada um a medida da fé” (Romanos 12:3). Deus colocou no coração de cada pessoa algo que sente o chamado divino.

Nosso papel é cooperar com Deus, ser vasos da Sua luz e compartilhar o Seu amor onde quer que possamos. Apresentar as pessoas a Jesus e contar-lhes a história do evangelho as encoraja a fazer uma resposta informada ao amor de Deus. Nossa responsabilidade missionária inclui também outros cristãos que estão enganados pelos erros de Babilônia. Ao compartilhar com eles a verdade da Bíblia e dar-lhes um retrato preciso do caráter de Deus, eles recebem as ferramentas para tomar as decisões corretas e não serem afastados de Jesus.

Que cada um de nós aceite o desafio de saber no que cremos e por que cremos nisso. Que conheçamos a Cristo e O compartilhemos com pessoas de todas as origens. Quando a nossa fé for desafiada, que possamos defender as nossas crenças e as razões da esperança que há em nós.

Sexta, 27 de Março

“No dia do juízo final, toda pessoa que se perder compreenderá a natureza de sua rejeição da verdade. A cruz será apresentada, e seu real significado será visto por todo aquele que foi cegado pela transgressão. Diante da visão do Calvário com sua misteriosa Vítima, os pecadores estarão condenados” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 36).

“Nossa posição diante de Deus depende não da quantidade de luz que temos recebido, mas do uso que fazemos da que possuímos. Assim, até mesmo o pagão que prefere o que é certo, na proporção em que lhe é possível distingui-lo, está em condições mais favoráveis do que os que têm grande luz e afirmam servir a Deus, mas não atendem a essa luz e, por sua vida diária, contradizem sua profissão de fé” (White, O Desejado de Todas as Nações, p. 180).

“Aqueles que Cristo elogia no Juízo talvez tenham conhecido pouco de teologia, mas nutriram os princípios divinos. Por meio da influência do Espírito de Deus, eles foram uma bênção para outros que os cercavam. Mesmo entre os gentios, existem pessoas que têm desenvolvido o espírito de bondade. Antes de receberem as palavras de vida, acolheram com simpatia os missionários, ajudando-os mesmo colocando em risco a própria vida. Entre os pagãos, há aqueles que servem a Deus de acordo com o conhecimento que têm, a quem a luz nunca foi levada por agentes humanos; no entanto, não se perderão. Embora desconheçam a lei escrita de Deus, ouviram Sua voz a falar-lhes por meio da natureza e fizeram aquilo que a lei exige. Suas obras mostram que o Espírito Santo tocou o coração deles, e são reconhecidos como filhos de Deus.

“Quão surpresos e alegres ficarão os humildes dentre as nações, e dentre os pagãos, ao ouvir as seguintes palavras dos lábios do Salvador: ‘Sempre que o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes’ (Mt 25:40). Quão alegre ficará o coração do Amor Infinito quando Seus seguidores erguerem para Ele o olhar, em surpresa e alegria perante Suas palavras de aprovação!” (White, O Desejado de Todas as Nações, p. 513).

“Deus a ninguém condenará no juízo por ter crido honestamente em uma mentira, ou conscienciosamente alimentado um erro. A condenação virá sobre quem negligenciar as oportunidades de conhecer bem a verdade. O descrente será condenado não por ser descrente, mas porque não aproveitou os meios que Deus colocou ao seu alcance para habilitá-lo a se tornar cristão” (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros, p. 318).