Missão: Areópago

Sábado, 3 de Janeiro

VERSO PARA MEMORIZAR:


Leituras da semana:
Atos 17:16-34
Apartir do Título, e do estudo da semana, anote suas impressões sobre o que se trata a lição:

Pesquise: em comentários bíblicos, livros denominacionais e de Ellen G. White sobre temas neste texto: Atos 17:16-34

* Estude a lição desta semana para se preparar para o Sábado, 10 de Janeiro

Domingo, 4 de Janeiro

O discurso de Paulo no Areópago (Atos 17:16-34) é uma aula de sensibilidade cultural combinada com clareza teológica. Ele começa reconhecendo a espiritualidade do público, cita frases conhecidas dentro da tradição grega e constrói uma ponte entre a fé cristã e os anseios espirituais dos ouvintes.

Na Grécia antiga, os atenienses tinham medo de ofender algum Deus desconhecido. Por isso, às vezes erguiam altares a divindades que nem sabiam se existiam. Era uma forma de “garantir” que ninguém fosse deixado de fora. Esses altares mostravam que, no fundo, os gregos sabiam que podia haver algo — ou Alguém — além do que eles conheciam. E foi justamente esse reconhecimento que deu a Paulo a chance de apontar para o Deus verdadeiro — o Criador do céu e da Terra. Ele falou sobre a grandeza desse Deus, Sua proximidade com a humanidade, Seu papel como fonte da vida e o chamado que Ele faz a todas as pessoas: que O busquem e O encontrem.

Entender o contexto de Atenas é essencial para perceber o impacto da mensagem. A cidade era um centro de filosofia, com linhas de pensamento como o epicurismo, que ensinava que os deuses eram distantes e indiferentes; e o estoicismo, que acreditava em uma espécie de força divina impessoal. Quando Paulo apresentou um Deus pessoal, presente e profundamente envolvido com a humanidade, ele estava confrontando diretamente essas ideias.

Charles Malik, proeminente filósofo libanês e pensador cristão, disse que “salvar a alma e salvar a mente” é o papel do cristianismo na educação e na cultura. Malik afirma que as universidades foram estabelecidas com a teologia em seu núcleo. De fato, muitas das primeiras universidades ocidentais, como Oxford, Cambridge e Harvard, começaram com a teologia como disciplina central, refletindo suas origens cristãs. A teologia era considerada a disciplina fundamental porque abordava as questões últimas sobre Deus, a existência humana e a natureza da realidade.

Segunda, 5 de Janeiro

Em Atos 17, Paulo nos deu uma verdadeira aula de apologética. Aqui estão quatro lições que podemos aprender com o seu exemplo:

1. Tenha consciência cultural. Paulo começou reconhecendo a devoção religiosa dos atenienses. Ele não atacou nem desprezou suas crenças. Em vez disso, usou o altar dedicado ao Deus desconhecido como uma ponte para apresentá-los ao Deus verdadeiro (Atos 17:23). Isso mostra a importância de encontrar um terreno comum ao compartilhar nossa fé. A abordagem de Paulo nos lembra de respeitar e compreender a visão de mundo dos outros, construindo a partir do que as pessoas já sabem ou acreditam.

Lição: Ao falar sobre fé, comece entendendo o ponto de vista das outras pessoas e use isso para criar uma conexão.

2. Apresente a grandeza de Deus. Em seguida, Paulo enfatizou a grandeza de Deus. Ele declarou que Deus é o Criador de todas as coisas e que não habita em templos feitos por mãos humanas (Atos 17:24). Isso desafiava diretamente a ideia dos atenienses de que os deuses estavam limitados a templos ou imagens. Paulo estava dizendo: “O Deus que sirvo não é confinado. Ele é o Senhor de toda a criação.”

Lição: Mostre a soberania de Deus. Ele não é fraco nem finito; Ele é o Criador e Senhor do universo.

3. Torne a mensagem pessoal. Paulo então tornou a mensagem pessoal e relevante. Ele citou os próprios poetas deles, afirmando que Deus não está distante de nenhum de nós: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28). Ao fazer isso, Paulo se conectou com seu público em um nível pessoal, mostrando que conhecer Deus não é apenas um exercício intelectual; é um relacionamento.

Lição: Não apresente Deus como uma ideia abstrata. Deixe claro que Ele deseja um relacionamento pessoal com cada pessoa.

4. Apresente corajosamente o evangelho completo. Paulo não se esquivou dos aspectos mais desafiadores do evangelho. Ele chamou as pessoas ao arrependimento e proclamou corajosamente a ressurreição de Jesus (Atos 17:30-31), mesmo sabendo que era um tema controverso. Paulo nos mostrou que não podemos diluir a mensagem. Precisamos apresentar o evangelho completo, incluindo a necessidade de arrependimento e a esperança da vida eterna.

Terça, 6 de Janeiro

Ao longo da história, os seres humanos têm buscado respostas para os maiores desafios filosóficos da vida: Por que estamos aqui? Como podemos ser felizes? Qual é o propósito do sofrimento? Enquanto pregava em Atenas, o apóstolo Paulo encontrou duas importantes escolas filosóficas gregas: o Epicurismo e o Estoicismo. Ambos os grupos tinham crenças distintas sobre o mundo e a felicidade humana.

Os epicuristas acreditavam que os deuses eram distantes e não se envolviam nos assuntos humanos. Eles viam o prazer como o bem supremo, e seu objetivo era minimizar a dor e o medo—especialmente o medo da morte. Rejeitavam a ideia de vida após a morte ou de envolvimento divino. Por outro lado, os estóicos tinham uma visão panteísta dos deuses, vendo o divino como uma força racional que permeava toda a natureza. Eles enfatizavam o autocontrole, a razão e a virtude como chaves para a felicidade, e acreditavam que alinhar-se à razão da natureza era o caminho para alcançar a paz de espírito.

Embora essas filosofias tentassem oferecer respostas, elas eram incompletas. Jesus é a resposta definitiva para os dilemas que essas escolas de pensamento tentaram resolver. Em Colossenses 2:8–10, Paulo abordou as limitações da filosofia humana e enfatizou que a verdadeira sabedoria se encontra em Cristo:

“Cuidado para que ninguém vos faça preso, por meio da filosofia e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo. Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais completos nele, que é o cabeça de todo principado e poder.”

A filosofia sem Cristo não pode dar vida eterna nem profunda satisfação e paz. Somente Cristo pode dar o sentido mais pleno e o propósito verdadeiro à sua vida.

Para os epicuristas, que acreditavam que os deuses eram distantes e impessoais, a mensagem de Paulo sobre Jesus foi revolucionária. Paulo proclamou que Jesus não está distante—Ele é Deus encarnado, plenamente divino e plenamente envolvido com a humanidade. Jesus é o Deus pessoal e presente que os epicuristas sentiam faltar.

Os estóicos ensinavam que a autossuficiência e o controle das emoções eram as chaves para a felicidade. Paulo desafiou essa ideia ao declarar que a plenitude se encontra em Cristo, e não no esforço humano ou na virtude. A verdadeira paz e integridade não vêm do autocontrole, mas de um relacionamento com Jesus.

Os epicuristas e os estóicos ofereciam soluções incompletas para os problemas da vida. Em Colossenses, Paulo apresenta Jesus como a resposta definitiva—o Deus pessoal e presente que nos torna completos. Nele, encontramos aquilo que a filosofia nunca poderá oferecer: plenitude de vida e paz verdadeira.

Quarta, 7 de Janeiro

O que essas passagens ensinam sobre sabedoria?

A fonte da verdadeira sabedoria:

• Provérbios 3:5, 6

• Provérbios 9:10

Limitações da sabedoria humana:

• Eclesiastes 1:13, 14

• Romanos 1:21, 22

• 1 Coríntios 1:20

• Colossenses 2:8

Sabedoria que vem do alto:

• 1 Coríntios 2:4, 5

• Tiago 3:13-17

Quinta, 8 de Janeiro

Ellen G. White forneceu insights poderosos sobre por que a mensagem de Paulo teve sucesso limitado entre os atenienses em Atos 17. Ela explicou que isso se devia, em grande parte, ao orgulho intelectual e à sabedoria humana que dominavam a sociedade ateniense:

“Os homens sábios segundo o mundo, que vêm a Cristo como pobres pecadores perdidos, tornar-se-ão sábios para a salvação; mas aqueles que vêm como homens distintos, exaltando sua própria sabedoria, não receberão a luz e o conhecimento que somente Ele pode dar.” – Ellen G. White, O Atos dos Apóstolos (2021), p. 152.

Paulo, ao se deparar com os epicuristas e estóicos, compreendeu a dificuldade de apresentar o evangelho àqueles que se consideravam intelectualmente superiores. Ele os abordou com tato e humildade, reconhecendo sua religiosidade, mas revelando sua necessidade do Deus único e verdadeiro. Apesar de seus esforços, poucos aceitaram a mensagem:

“E, ouvindo eles acerca da ressurreição dos mortos, uns zombavam, e outros diziam: ‘Ouvir-te-emos sobre isto outra vez.’ E Paulo saiu do meio deles. Mas alguns homens se uniram a ele e creram, entre os quais Diótrefes, chamado o Areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris, e outros com eles.” (Atos 17:32–34)

Embora o ministério de Paulo em Atenas não tenha produzido grande número de convertidos, seus esforços não foram em vão. Todos os crentes enfrentarão pessoas que rejeitam o evangelho. Podemos traçar um paralelo entre a experiência de Paulo e a de Jesus, que também encontrou rejeição, especialmente daqueles que se consideravam sábios segundo os padrões do mundo. Essas experiências nos lembram que o sucesso em compartilhar o evangelho nem sempre se mede por números ou popularidade.

Sempre haverá alguns que rejeitarão o evangelho, mas devemos fazer todo o possível para que, antes de tomarem essa decisão, compreendam o que estão rejeitando. Além disso, mesmo diante da rejeição, não devemos nos desanimar. Aos olhos de Deus, mesmo uma única alma tem valor imenso. Jesus frequentemente atravessou terras e mares para alcançar apenas uma pessoa. Uma alma salva é uma vitória de significado eterno, e nenhum esforço é perdido quando realizado por Cristo.

Em última análise, somos chamados a perseverar na divulgação do evangelho, mesmo quando os resultados parecem insignificantes. Assim como Paulo permaneceu fiel em Atenas, apesar dos desafios, nós também devemos continuar a espalhar a luz da verdade, confiando que Deus alcançará aqueles cujos corações estão abertos. Aos olhos do céu, o valor de uma única alma justifica todos os nossos esforços.

Sexta, 9 de Janeiro

“Em todo esforço para alcançar as classes mais elevadas, o obreiro de Deus necessita de forte fé. As aparências podem parecer desanimadoras, mas na hora mais escura há luz no alto. A força dos que amam e servem a Deus será renovada dia a dia. O entendimento do Infinito é colocado a seu serviço, para que, ao cumprir Seus propósitos, não errem. Que esses obreiros conservem firme até o fim o princípio da sua confiança, lembrando-se de que a luz da verdade de Deus deve brilhar em meio às trevas que envolvem o nosso mundo. Não deve haver desânimo em conexão com o serviço de Deus. […] Deus é capaz e está disposto a conceder a Seus servos toda a força de que necessitam e a dar-lhes a sabedoria que suas variadas necessidades exigem. Ele irá mais do que satisfazer as mais altas expectativas daqueles que depositam n´Ele a sua confiança.” — Ellen G. White, Atos dos Apóstolos (2021), p. 153, 254.

“Naquela era de castas, quando os direitos dos homens muitas vezes não eram reconhecidos, Paulo apresentou a grande verdade da fraternidade humana, declarando que Deus ‘de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra’ (Atos 17:26). À vista de Deus, todos estão em pé de igualdade, e ao Criador todo ser humano deve suprema lealdade. Em seguida, o apóstolo mostrou como, em todo o trato de Deus com o homem, Seu propósito de graça e misericórdia corre como um fio de ouro. Ele ‘determinou os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação, para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós’ (Atos 17:26, 27).

“Apontando para os nobres exemplos de humanidade ao seu redor, com palavras tomadas de um poeta deles mesmos, apresentou o Deus infinito como um Pai, cujos filhos eles eram. ‘Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos’, declarou ele; ‘como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não devemos cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra, esculpida pela arte e imaginação do homem.’” — Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 151.