Por que existe o mal

Sábado, 17 de Janeiro

VERSO PARA MEMORIZAR:


Leituras da semana:
Jó 1:1-22; Jó 2:1-13
Apartir do Título, e do estudo da semana, anote suas impressões sobre o que se trata a lição:

Pesquise: em comentários bíblicos, livros denominacionais e de Ellen G. White sobre temas neste texto: Jó 1:1-22; Jó 2:1-13

* Estude a lição desta semana para se preparar para o Sábado, 24 de Janeiro

Domingo, 18 de Janeiro

Elie Wiesel, famoso sobrevivente do Holocausto, certa vez escreveu uma peça intitulada Deus no Banco dos Réus. Nesse roteiro, três rabinos acusam Deus por permitir que Seus filhos fossem massacrados. “O julgamento durou várias noites. Testemunhas foram ouvidas, provas foram reunidas, conclusões foram tiradas, tudo o que finalmente resultou em um veredito unânime: o Senhor Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, foi considerado culpado de crimes contra a criação e a humanidade.”

Esse tribunal fictício deixou os espectadores com perguntas profundas sobre Deus, a vida e o mal. Contudo, Wiesel, que havia sido aprisionado em um campo de concentração nazista, afirmou que a história não era alegórica, mas algo que ele realmente presenciou. Aos quinze anos de idade, enquanto era prisioneiro em Auschwitz, Elie Wiesel observou três estudiosos judeus colocarem Deus em julgamento por Sua indiferença ao sofrimento de Seu povo — e considerá-Lo culpado. O desespero absoluto deles os levou a acusar justamente o ponto central de sua religião.

Deus é culpado de crimes contra a humanidade?

Essa pergunta nos leva ao cerne do problema do mal. Se Deus é tão bom, por que existe o mal? O único Ser que possui poder absoluto no Universo para deter o mal… não o faz.

Nas palavras do filósofo Peter Kreeft:

O problema do mal é o problema mais sério do mundo.… Mais pessoas abandonaram sua fé por causa do problema do mal do que por qualquer outra razão. Ele é certamente a maior prova de fé, a maior tentação à incredulidade. E não se trata apenas de uma objeção intelectual. Nós o sentimos. Nós o vivemos.… O problema pode ser expresso de forma muito simples: se Deus é tão bom, por que o Seu mundo é tão mau? … Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?

Más notícias nos acompanham todos os dias. Relatos de doenças, morte, pandemias, enfermidades mentais, corrupção e crime fazem parte da rotina de nossas vidas. Diante das inestimáveis tragédias e injustiças apenas do último ano (ou da última semana), como um crente pode defender a ideia de um Ser todo-poderoso e perfeitamente benevolente?

Quando abrimos a Bíblia em Gênesis, capítulo um, versículo um, lemos: “No princípio criou Deus os céus e a terra.” Aqui somos apresentados a um Deus perfeito, que criou um mundo perfeito, para pessoas perfeitas, que viviam em um ambiente perfeito, com saúde perfeita, desfrutando relacionamentos perfeitos com o Criador e entre si. A origem do nosso mundo é o Éden, onde a felicidade e o amor floresciam. Leia os dois primeiros capítulos de Gênesis e você encontrará a vida humana conforme Deus originalmente a planejou.

Segunda, 19 de Janeiro

O livro de Jó oferece percepções profundas sobre o conflito cósmico entre o bem e o mal. Ele começa com um homem chamado Jó, que é abençoado de todas as maneiras concebíveis — financeiramente, nos relacionamentos e espiritualmente (Jó 1:1–5).

A narrativa então muda para uma cena celestial, onde está ocorrendo uma assembleia. Ali, Satanás aparece sem ser convidado. Um tipo de disputa legal se inicia quando Deus desafia Satanás: “From where do you come?” (Jó 1:7). A pergunta rebate as pretensões territoriais de Satanás.

A resposta de Satanás é reveladora: “From going to and fro on the earth, and from walking back and forth on it” (Jó 1:7). Claramente, Satanás havia reivindicado a terra como seu domínio. (Compare com a linguagem abraâmica de reivindicação territorial em Gênesis 13:14–17.) Esse conflito não se trata meramente de geografia, mas de adoração e obediência. A declaração de Satanás implica que a humanidade está sob seu controle, e ele pretende desafiar a autoridade de Deus minando um relacionamento genuíno.

Quando Deus pergunta a Satanás: “Have you considered My servant Job, that there is none like him on the earth, a blameless and upright man, one who fears God and shuns evil?” (Jó 1:8), Ele desafia o domínio de Satanás sobre a terra. Nem todos na terra estão sob o engano de Satanás.

Satanás então afirma que a fidelidade de Jó é apenas resultado das bênçãos de Deus. Ele sabe quem Jó é. Satanás sugere que os seres humanos são incapazes de amar a Deus genuinamente e que só são leais por causa das bênçãos que recebem. Essencialmente, Satanás questiona a própria existência do verdadeiro amor entre Deus e os seres humanos.

Em resposta a esse desafio, a vida de Jó rapidamente se torna o campo de batalha desse conflito divino. Ele perde tudo — sua riqueza, seus filhos, sua reputação e até sua saúde. Apesar de seu profundo sofrimento, a fé de Jó permanece firme quando ele declara: “Though He slay me, yet will I trust Him” (Jó 13:15).

A história de Jó transmite várias lições cruciais:

1. Uma guerra entre o bem e o mal está em curso.

2. Coisas ruins acontecem, sim, a pessoas boas.

3. Os amigos de Jó não têm uma compreensão correta do que está acontecendo no mundo.

4. Deus está agindo para vencer o mal com o bem, mesmo quando Seus caminhos estão além da compreensão humana.

Terça, 20 de Janeiro

A história de Jó revela com força impressionante o conflito entre Cristo e Satanás. Ela mostra que o sofrimento não tem origem no caráter de Deus, mas sim nas ações de um inimigo que atua para destruir.

O apologista cristão Sean McDowell levantou uma pergunta provocativa: “Você já se perguntou como Deus e Satanás podem estar realmente envolvidos em um conflito cósmico? Se Deus é todo-poderoso, e Satanás é um ser limitado, como isso pode ser uma disputa legítima?” (“How can God and Satan be in a cosmic struggle?”, disponível em link.cpb.com.br/f93b18). A resposta é que não se trata de uma luta de forças, como se fosse um cabo de guerra. O que está em jogo aqui é muito mais profundo. Não é uma briga de poder. É uma batalha de ideias.

O teólogo John Peckham explica assim a estratégia do inimigo: “Do Gênesis ao Apocalipse, perguntas relativas ao caráter e ao governo de Deus são suscitadas no Céu e na Terra. Uma vez que as alegações difamadoras do inimigo são de natureza epistêmica, não podem ser eficazmente respondidas por nenhuma demonstração de poder, por maior que seja. De fato, nenhuma quantidade de poder exercida por um rei provaria a seus súditos que ele não é injusto. [...] Um conflito acerca do caráter não pode ser solucionado pelo poder puro e simples, mas requer demonstração” (Teodiceia do Amor: O Conflito Cósmico e o Problema do Mal, p. 130, 131).

No centro desse conflito está o amor de Deus. E, diante das acusações do inimigo, a única resposta possível é a verdade. Não existe força no Universo capaz de derrotar uma mentira sobre o caráter de alguém. O que derrota a mentira é a verdade.

Você já se perguntou por que Deus simplesmente não dá um fim ao mal, agora mesmo? A resposta pode surpreender: qualquer tentativa de encerrar o conflito antes da hora, usando força, só iria piorar a situação – ou até prolongá-la.

O amor de Deus é o que sustenta esse atraso. Porque, se Deus quisesse acabar com o mal de forma imediata, talvez não conseguisse acabar com ele de forma definitiva. Para erradicar o mal para sempre, é preciso resolvê-lo completamente – e isso exige tempo, verdade e amor.

Quarta, 21 de Janeiro

O que essas passagens nos dizem sobre a grande controvérsia e o conflito entre o bem e o mal?

Origem do conflito:

Isaías 14:12-14

Ezequiel 28:12-17

Apocalipse 12:7-9

O engano de Satanás e a Queda:

Gênesis 3:1-6

2 Coríntios 11:3

João 8:44

Vitória por meio de Cristo:

Romanos 16:20

Hebreus 2:14, 15

1 João 3:8

Quinta, 22 de Janeiro

A história de Jó é um poderoso testemunho da fidelidade de Deus, mesmo em meio a intenso sofrimento. A Escritura descreve com cuidado a família e os bens de Jó antes e depois de suas provações. Jó era um homem muito rico que amava seus sete filhos e três filhas. Suas posses incluíam “seven thousand sheep, three thousand camels, five hundred yoke of oxen, five hundred female donkeys, and a very large household” (Jó 1:3). Jó perdeu tudo à medida que uma calamidade seguia a outra. Ele sofreu dificuldades inimagináveis, mas sua história termina com uma profunda restauração.

Ao final de sua provação, a riqueza material de Jó havia sido dobrada em todas as áreas, exceto no número de seus filhos (Jó 42:12, 13). O número de seus novos filhos permaneceu o mesmo de antes. Talvez essa progressão de “dobros” seja uma indicação sutil de que a restauração definitiva de Jó ocorrerá na eternidade, onde ele será reunido tanto com o primeiro quanto com o segundo grupo de filhos. Dessa forma, a história de Jó aponta para uma restauração maior, que alcança o eterno. Aquilo que Jó perdeu na terra lhe será plenamente restaurado no céu, enfatizando a promessa bíblica de que Deus não apenas cura nossas feridas, mas supera nossas maiores expectativas.

Jó ansiava que sua história fosse ouvida, exclamando: “Oh, that my words were written! Oh, that they were inscribed in a book!” (Jó 19:23). Mal sabia Jó que sua história seria, de fato, registrada, oferecendo esperança e discernimento a incontáveis pessoas. O desfecho final de sua história ocorrerá na Segunda Vinda, quando ele será reunido com seus entes queridos e perceberá que fez parte de uma narrativa ainda maior: a história da redenção.

A história de Jó estaria incompleta sem a história de Jesus. No Calvário, as mentiras de Satanás foram expostas pelo que realmente eram — enganos destinados a separar a humanidade do amor de seu Criador. A cruz silenciou para sempre a acusação de que Deus não é bom. O sacrifício de Jesus revelou as profundezas do amor divino — um amor que prefere suportar a morte a ver Suas criaturas perdidas.

À luz do Calvário, vemos que o amor realmente existe, que a lei é perfeitamente justa e imutável, e que a bondade de Deus para com Suas criaturas é incomensurável. A cruz permanece como o testemunho eterno de que Deus é ao mesmo tempo justo e justificador, silenciando para sempre as mentiras do inimigo e revelando a verdade sobre quem Deus é — um Deus de misericórdia, justiça e bondade sem fim.

Sexta, 23 de Janeiro

“Satanás viu que seu disfarce fora arrancado. Sua administração foi exposta diante dos anjos não caídos e diante do universo celestial. Ele havia se revelado como assassino. Ao derramar o sangue do Filho de Deus, ele se desenraizou das simpatias dos seres celestiais. Daí em diante, sua atuação foi restringida. Qualquer atitude que pudesse assumir, já não poderia mais aguardar os anjos quando estes vinham das cortes celestiais e, diante deles, acusar os irmãos de Cristo de estarem vestidos com trajes de negridão e com a contaminação do pecado. O último elo de simpatia entre Satanás e o mundo celestial foi rompido.…

“A guerra contra a lei de Deus, iniciada no Céu, continuará até o fim dos tempos. Todo ser humano será provado. Obediência ou desobediência é a questão que será decidida pelo mundo inteiro. Todos serão chamados a escolher entre a lei de Deus e as leis dos homens. Aqui será traçada a linha divisória. Haverá apenas duas classes. Cada caráter será plenamente desenvolvido; e todos demonstrarão se escolheram o lado da lealdade ou o da rebelião.…

“Deus é a fonte da vida; e quando alguém escolhe o serviço do pecado, separa-se de Deus e, assim, corta-se da vida. Ele fica ‘alienado da vida de Deus’. Cristo diz: ‘Todos os que Me odeiam amam a morte’. Efésios 4:18; Provérbios 8:36. Deus lhes concede existência por algum tempo, para que desenvolvam seu caráter e revelem seus princípios. Cumprido isso, recebem os resultados de sua própria escolha. Por uma vida de rebelião, Satanás e todos os que a ele se unem colocam-se em tamanha desarmonia com Deus que Sua própria presença lhes é um fogo consumidor. A glória d’Aquele que é amor os destruirá.

“No início do grande conflito, os anjos não compreendiam isso. Se Satanás e seu exército tivessem sido deixados então a colher plenamente o resultado de seu pecado, teriam perecido; porém não teria ficado evidente para os seres celestiais que esse era o resultado inevitável do pecado. Uma dúvida quanto à bondade de Deus teria permanecido em sua mente como uma semente maligna, produzindo seu fruto mortal de pecado e sofrimento.

“Mas não será assim quando o grande conflito terminar. Então, estando completo o plano da redenção, o caráter de Deus será revelado a todas as inteligências criadas. Os preceitos de Sua lei serão vistos como perfeitos e imutáveis. Então o pecado terá manifestado sua natureza, Satanás o seu caráter. Assim, a erradicação do pecado vindicará o amor de Deus e estabelecerá Sua honra diante de um universo de seres que se deleitam em fazer a Sua vontade e em cujo coração está a Sua lei.” — Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 612-616. 761, 763–764.