O Deus único
Segunda, 9 de FevereiroUm dos pilares do ensino de Maomé, registrado no Alcorão, é o tawhid, a convicção de que Deus é absolutamente único. Para os muçulmanos, Deus não tem parceiro, não tem igual e não compartilha Sua glória com ninguém.
Qualquer tentativa de associar outro ser a Deus, seja como mediador, imagem ou divindade, é considerada uma grave distorção. Segundo o Alcorão, declarar Jesus como Deus viola diretamente o princípio do tawhid.
Nesse ponto, Maomé concorda com um ensinamento central da Bíblia, pois Deus rejeita a adoração a outros deuses. Isso levanta uma pergunta importante: Se Deus é um só, por que tantas religiões e culturas passaram a adorar múltiplas divindades?
Essa tendência está relacionada à tentativa humana de compreender o conflito entre o bem e o mal. Desde os tempos mais antigos, as pessoas perceberam que forças opostas atuam no mundo, como luz e trevas, justiça e injustiça, amor e indiferença. Para explicar essas tensões, muitas culturas desenvolveram a ideia de vários deuses, cada um representando uma força da realidade. Essa foi uma forma de dar sentido ao caos da vida.
No entanto, apesar de o politeísmo buscar explicar essas questões, ele não as resolve. Ele fragmenta a compreensão de Deus, cria divindades em conflito, gera rivalidades de poder e, muitas vezes, enfraquece o valor da dignidade humana.
Em contraste, a Bíblia revela um Deus totalmente distinto: pessoal, eterno, justo e único. “Eu sou o Senhor, e não há outro” (Isaías 45:5). Essa mesma verdade aparece com força em uma das declarações mais importantes da Bíblia: “Escute, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4).
Esse verso, conhecido como Shemá, revela uma profundidade fascinante. No original hebraico, o texto diz: Shema (Escute) Yisra’el (Israel) Yahweh (o nome pessoal de Deus) Elohenu (nosso Deus – termo plural derivado de Elohim) Yahweh echad (um só).
A combinação do nome Yahweh, que é singular, com o termo Elohim, que é plural, e a palavra echad, que indica unidade composta, apresenta uma verdade profunda. Deus é um só, mas dentro dessa unidade há relacionamento. Desde a eternidade, Ele existe em perfeita comunhão – Pai, Filho e Espírito Santo. Sua própria natureza expressa conexão, unidade e relacionamento.