Jesus e o Islamismo

Sábado, 7 de Fevereiro

VERSO PARA MEMORIZAR:


Leituras da semana:
Deuteronômio 6:1-25.
Apartir do Título, e do estudo da semana, anote suas impressões sobre o que se trata a lição:

Pesquise: em comentários bíblicos, livros denominacionais e de Ellen G. White sobre temas neste texto: Deuteronômio 6:1-25.

* Estude a lição desta semana para se preparar para o Sábado, 14 de Fevereiro.

Domingo, 8 de Fevereiro

Maomé, fundador do islamismo, nascido por volta do ano 570 d.C. em Meca, no seio da proeminente e influente tribo dos Coraixitas (Quraysh), é considerado o fundador do Islã. Infelizmente, ele experimentou perdas significativas muito cedo na vida, pois perdeu o pai antes de nascer e a mãe quando tinha apenas seis anos de idade. Os muçulmanos creem que, aos quarenta anos, Muhammad recebeu sua primeira revelação de Deus por meio do anjo Gabriel. Essas revelações, que continuaram ao longo dos vinte e três anos seguintes, foram posteriormente reunidas no Alcorão, o livro sagrado do Islã.

A mensagem de Muhammad sobre o monoteísmo (crença em um só Deus) e a reforma social representou um grande desafio à ordem socioreligiosa predominante em Meca, especialmente ao seu politeísmo arraigado (crença em muitos deuses) e às estruturas de poder do sistema tribal. O conflito entre Muhammad e as tribos de Meca se intensificou à medida que ele rejeitava o panteão de deuses deles e condenava a corrupção que percebia na sociedade mequense. Sua mensagem atraiu um número crescente de seguidores, mas também provocou severa perseguição e hostilidade por parte daqueles que a viam como uma ameaça ao seu modo de vida estabelecido.

No ano 622 d.C., diante da crescente perseguição, Muhammad e seus seguidores migraram para Medina, evento conhecido como a Hégira (Hijrah), que marca o início do calendário islâmico. Em Medina, ele estabeleceu uma comunidade muçulmana e continuou a receber revelações. Seus esforços para espalhar sua mensagem, aliados às suas habilidades estratégicas e diplomáticas, levaram eventualmente à unificação das tribos da península Arábica sob o Islã, substituindo práticas politeístas pela adoração de um único Deus. Hoje, o Islã é a segunda maior religião do mundo, com quase dois bilhões de seguidores¹, representando cerca de 25% da população global. Sua influência se estende por diversos continentes, com populações significativas no Oriente Médio, Norte da África e Sul da Ásia

No Islã, Jesus é reverenciado como um dos maiores profetas, nascido da virgem Maria em um nascimento milagroso. O Alcorão afirma o profetismo de Jesus, Seus milagres e Seu caráter. No entanto, enfatiza fortemente que Jesus foi um ser humano e servo de Deus, não divino nem Filho de Deus. O Alcorão também ensina que Jesus retornará à terra antes do dia do juízo, restaurando a justiça e derrotando os anticristos. Contudo, Seu retorno não é visto como uma segunda vinda para consumar a salvação, como no cristianismo, mas como um sinal final do fim dos tempos, quando Ele viverá como um líder muçulmano justo.

Quem é Deus? Ele é três em um? Um em três? Apenas um? Três deuses? Jesus foi mais do que um profeta? Ele era divino?

Quem Jesus é talvez seja a pergunta mais importante que jamais enfrentaremos. Aquilo em que cremos a respeito d´Ele molda tudo — nossa visão da vida, do céu, da salvação e até mesmo a maneira como lidamos com os relacionamentos. Isso influencia como fazemos escolhas, como vemos nosso propósito e como vivemos o dia a dia. Compreender quem é Jesus forma o alicerce de tudo o que realmente importa.

Segunda, 9 de Fevereiro

Um dos pilares do ensino de Maomé, registrado no Alcorão, é o tawhid, a convicção de que Deus é absolutamente único. Para os muçulmanos, Deus não tem parceiro, não tem igual e não compartilha Sua glória com ninguém.

Qualquer tentativa de associar outro ser a Deus, seja como mediador, imagem ou divindade, é considerada uma grave distorção. Segundo o Alcorão, declarar Jesus como Deus viola diretamente o princípio do tawhid.

Nesse ponto, Maomé concorda com um ensinamento central da Bíblia, pois Deus rejeita a adoração a outros deuses. Isso levanta uma pergunta importante: Se Deus é um só, por que tantas religiões e culturas passaram a adorar múltiplas divindades?

Essa tendência está relacionada à tentativa humana de compreender o conflito entre o bem e o mal. Desde os tempos mais antigos, as pessoas perceberam que forças opostas atuam no mundo, como luz e trevas, justiça e injustiça, amor e indiferença. Para explicar essas tensões, muitas culturas desenvolveram a ideia de vários deuses, cada um representando uma força da realidade. Essa foi uma forma de dar sentido ao caos da vida.

No entanto, apesar de o politeísmo buscar explicar essas questões, ele não as resolve. Ele fragmenta a compreensão de Deus, cria divindades em conflito, gera rivalidades de poder e, muitas vezes, enfraquece o valor da dignidade humana.

Em contraste, a Bíblia revela um Deus totalmente distinto: pessoal, eterno, justo e único. “Eu sou o Senhor, e não há outro” (Isaías 45:5). Essa mesma verdade aparece com força em uma das declarações mais importantes da Bíblia: “Escute, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4).

Esse verso, conhecido como Shemá, revela uma profundidade fascinante. No original hebraico, o texto diz: Shema (Escute) Yisra’el (Israel) Yahweh (o nome pessoal de Deus) Elohenu (nosso Deus – termo plural derivado de Elohim) Yahweh echad (um só).

A combinação do nome Yahweh, que é singular, com o termo Elohim, que é plural, e a palavra echad, que indica unidade composta, apresenta uma verdade profunda. Deus é um só, mas dentro dessa unidade há relacionamento. Desde a eternidade, Ele existe em perfeita comunhão – Pai, Filho e Espírito Santo. Sua própria natureza expressa conexão, unidade e relacionamento.

Terça, 10 de Fevereiro

Tanto o Islã quanto o Judaísmo são rigidamente monoteístas, compartilhando uma profunda reverência por Abraão como uma figura central em suas histórias. O Islã sustenta que o filho prometido de Abraão, por meio de quem a aliança seria cumprida, foi Ismael, enquanto o Judaísmo afirma que foi Isaque. As Escrituras apresentam uma revelação que transcende essa controvérsia religiosa: há outra Semente Prometida de Abraão — Jesus.

Abraão aguardava com grande expectativa a primeira vinda de Jesus. O próprio Jesus explicou isso aos judeus: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o Meu dia; ele o viu e alegrou-se” (João 8:56). Jesus pronunciou essas palavras no templo, que ficava próximo ao lugar onde Abraão fora chamado a sacrificar seu filho, Isaque, dois milênios antes. Abraão acreditou que Deus “proverá para Si o cordeiro” e, de fato, Isaque foi poupado por causa de um carneiro preso pelos chifres num mato, simbolizando a provisão futura de Deus do Sacrifício supremo.

A identidade de Jesus assumiu um significado ainda maior quando Ele declarou: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8:58). Essa afirmação não foi meramente uma reivindicação de preexistência; foi uma declaração de Sua divindade, ecoando a autoidentificação de Deus a Moisés na sarça ardente — “EU SOU O QUE SOU” (Livro do Êxodo 3:14). Os judeus estavam prontos para apedrejar Jesus porque compreenderam exatamente quem Ele estava declarando ser: o Deus do Antigo Testamento. Diante deles estava Aquele em quem toda a sua história e adoração estavam centradas. Jesus não é apenas um profeta ou um bom mestre; Ele é o próprio Deus, o Eterno. Como Ellen G. White declara de forma precisa: “Em Cristo há vida, original, não emprestada, não derivada.” – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 423. Jesus não foi criado; Ele não tem um ponto de origem.

As Escrituras declaram enfaticamente a natureza incomparável de Deus: “Tu és grande, ó SENHOR Deus, porque não há semelhante a Ti, e não há outro Deus além de Ti” (2 Samuel 7:22). Essa afirmação estabelece firmemente a divindade única de Deus. A Bíblia delineia uma distinção clara e absoluta entre Deus, o Criador, e toda a criação. Assim como alguém não pode estar parcialmente grávida — ou está grávida ou não está —, também não se pode possuir divindade em graus. Ou se é plenamente divino, e, portanto, Deus, ou não se é divino de modo algum.

Jesus, juntamente com o Pai e o Espírito, assumiu um papel distinto para transpor o abismo entre o Criador e a criação, um abismo tornado ainda maior pelo pecado. O termo “Filho”, nesse sentido, não é uma descrição biológica ou física, mas um papel relacional. O Pai, o Filho e o Espírito estão do mesmo lado em sua missão de salvar a humanidade. O que podemos dizer aos muçulmanos sobre a visão cristã de Jesus? Não é que Deus tenha gerado um Filho, mas que Deus Se tornou Filho.

Quarta, 11 de Fevereiro

O que esses versículos nos ensinam sobre o Deus Triúno?

A unidade e a pluralidade de Deus:

Gênesis 1:26

Isaías 6:8

Mateus 28:19, 20

2 Coríntios 13:14

A pré-existência de Jesus:

Isaías 9:6

Miquéias 5:2

João 8:58

A divindade de Jesus:

João 1:1-3

João 20:27, 28

Hebreus 1:8, 9

Quinta, 12 de Fevereiro

Os muçulmanos frequentemente consideram desafiador o conceito cristão de expiação, pois ele difere significativamente dos ensinamentos islâmicos. No Islã, Alá concede perdão em resposta direta ao arrependimento sincero do pecador, à oração e às boas obras. Não há necessidade de um mediador ou de um sacrifício. A Surata Az-Zumar 39:53 enfatiza a misericórdia de Deus: “Dize: ‘Ó Meus servos que transgredistes contra vós mesmos [pecando], não vos desespereis da misericórdia de Alá. Em verdade, Alá perdoa todos os pecados. Em verdade, Ele é o Perdoador, o Misericordioso.’”

Contudo, a Bíblia ensina que o pecado não é meramente um erro ou a violação de uma regra, mas uma ruptura moral e relacional com Deus. O pecado cria uma dívida, não apenas em sentido legal, mas também relacional. Nossa desobediência fratura o relacionamento com o nosso Criador. Romanos 6:23 declara: “Porque o salário do pecado é a morte.” O pecado conduz tanto à morte espiritual quanto à morte física — à separação eterna de Deus —, e essa dívida não pode ser simplesmente ignorada sem comprometer a justiça e a santidade de Deus. Os muçulmanos podem ter dificuldade em compreender o custo do perdão porque o Islã não enfatiza a pecaminosidade humana da mesma forma que o Cristianismo. O Islã ensina que os seres humanos são fracos, mas capazes de arrependimento e reforma.

Do ponto de vista cristão, o pecado causa uma fratura relacional que exige mais do que apenas perdão; exige purificação e restituição para reparar o dano causado pela quebra da lei moral de Deus. Isaías 59:2 afirma: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós.” Essa separação de Deus é a razão pela qual a expiação é necessária para restaurar o relacionamento rompido e reparar a brecha.

A expiação de Deus é completa. Ela inclui tanto o perdão quanto a purificação do pecado. Contudo, a expiação é provida a um custo terrível. Se Deus perdoasse sem tratar da dívida moral, Sua justiça seria comprometida. Para que tanto a justiça quanto a misericórdia sejam mantidas, um sacrifício é necessário. O entendimento bíblico é que Jesus, sendo plenamente Deus e plenamente humano, assumiu essa dívida e pagou a penalidade do pecado com Sua morte na cruz. A Epístola aos Hebreus enfatiza que não havia um caminho mais fácil para Deus oferecer perdão ao pecador, pois “sem derramamento de sangue não há remissão de pecados” (Epístola aos Hebreus 9:22). Isto é, o perdão tem um custo altíssimo, e foi o próprio Deus quem decidiu pagar esse preço por nós (leia João 3:16; 1 Pedro 1:18, 19).

Sexta, 13 de Fevereiro

“O Maometanismo tem seus conversos em muitas terras, e seus defensores negam a divindade de Cristo. Será que essa fé deve ser propagada, e os defensores da verdade deixarão de manifestar intenso zelo para derrubar o erro e ensinar aos homens a preexistência do único Salvador do mundo? Oh, como necessitamos de homens que pesquisem e creiam na Palavra de Deus, que apresentem Jesus ao mundo em Sua natureza divina e humana, declarando com poder e na demonstração do Espírito que ‘em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos’ (Atos 4:12). Oh, como necessitamos de crentes que agora apresentem Cristo na vida e no caráter, que O exaltem perante o mundo como o resplendor da glória do Pai, proclamando que Deus é amor!” – Ellen G. White, The Home Missionary, 1º de setembro de 1892.

“O plano de salvação do Céu é amplo o suficiente para abarcar o mundo inteiro. Deus anseia insuflar na humanidade prostrada o sopro da vida. E Ele não permitirá que nenhuma alma fique desapontada se for sincera em seu anseio por algo mais elevado e mais nobre do que qualquer coisa que o mundo possa oferecer. Constantemente Ele está enviando Seus anjos àqueles que, embora cercados pelas circunstâncias mais desanimadoras, oram com fé pedindo algum poder mais elevado do que eles mesmos para apoderar-se deles e trazer libertação e paz. De várias maneiras Deus Se revelará a eles e os colocará em contato com providências que estabelecerão sua confiança n´Aquele que Se entregou como resgate por todos, ‘para que pusessem em Deus a sua esperança, e não se esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os Seus mandamentos’. Livro dos Salmos 78:7.” – Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 222.

“Cristo atraía a Si o coração de Seus ouvintes pela manifestação de Seu amor e, então, pouco a pouco, à medida que eram capazes de suportar, desdobrava-lhes as grandes verdades do reino. Nós também devemos aprender a adaptar nossos trabalhos à condição das pessoas — a encontrar os homens onde eles estão. Embora as reivindicações da lei de Deus devam ser apresentadas ao mundo, jamais devemos esquecer que o amor, o amor de Cristo, é o único poder que pode abrandar o coração e conduzir à obediência.” – Ellen G. White, Envagelismo, p. 41.

“Enquanto a lógica pode deixar de comover, e o argumento ser impotente para convencer, o amor de Cristo, revelado no ministério pessoal, pode abrandar o coração de pedra, de modo que a semente da verdade possa criar raízes.” – Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 27.